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quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Dom Casmurro + Cocada

           

                Confesso que na primeira vez que li Machado de Assis, não gostei. Na época, apesar de começar a me interessar por livros de sebo, estava numa onda meio "Meg Cabot" (que é incrível, por sinal), e não achei o Machado assim tããããão genial. Fico feliz em dizer que eu estava muito, muito enganada. Algumas das características principais de seus livros são os capítulos curtos e sem ordem rigorosa, personagens femininos fortes, críticas fortes à sociedade da época e muita, muita ironia. Os diálogos entre narrador e leitores são muito gostosos de se ler.Aliás, foi justamente ao reler Dom Casmurro que percebi como tantas coisas me passaram batidas, há alguns anos.

           Dom Casmurro é uma das maiores obra do autor, ao lado de Quincas Borba e Memórias Póstumas de Brás Cubas. Narrado em primeira pessoa por Bentinho, vemos toda a história se desenrolar pelos olhos daquele menino mimado, que cresceu à sombra da promessa que a mãe fizera, de um dia vir a ser ordenado padre. Um dia, porém, denunciado por um agregado da família, Bentinho descobriu-se apaixonado pela companheira de infância e melhor amiga, Capitu. O livro continua narrando a ida de Bentinho ao seminário, sua amizade com outro seminarista, Escobar, e o modo pelo qual ambos conseguem sair sem ser ordenados. Nosso protagonista consegue se casar com seu amor de infância. Com um bom emprego, uma esposa lindíssima e excelentes amizades, Bentinho tinha tudo para ter uma vida perfeita. Mas, naturalmente, é um livro realista e... Bom, e vocês terão que ler para saber o resto. 

        Na verdade, provavelmente vocês sabem o que acontece depois. Mas o incrível é que, mesmo sabendo, não sabemos! Como o livro é narrado em primeira pessoa, é impossível descobrir se as dúvidas de nosso Dom Casmurro eram reais ou se fruto da imaginação do protagonista. 


Minha dica, para esse livro, são cocadas! Não só porque eu sou apaixonada com doce, ou porque acho cocada preta uma coisa divina, mas por lembrar infância, já que é um daqueles doces caseiros que a gente acaba comprando bem barato. Além do mais, essa foi uma indicação do próprio protagonista:
— Dê cá! disse eu descendo o braço para receber duas. 
Comprei-as, mas tive de as comer sozinho; Capitu recusou. Vi que, em meio da crise, eu conservava um canto para as cocadas, o que tanto pode ser perfeição como imperfeição, mas o momento não é para definições tais; fiquemos em que a minha amiga, apesar de equilibrada e lúcida, não quis saber de doce, e gostava muito de doce.


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